
Ferocidade
Data 13/07/2012 14:01:25 | Tópico: Poemas
| Revela teu ódio Nas grutas acústicas De um peito ecoando A dor da cascata Sem fim desabando, Mordendo na pedra A própria desdita. Vá! roto e precário De tal desmazelo Do choque imprevisto Do escarro na esquina Dos olhos cruéis Que fazem tua cara Cartaz luminoso, Falácia venal, Um palco de socos, De chutes e murros, De fera disputa Por álcool e remédios, Por roupa e alimento, Por fogo e prazer Nas sendas soturnas Da grande cidade Que encolhe miúdo Teu corpo tão frágil À sombra terrível De atrozes gigantes. “E agora, José?” Cadê tua fala Cadê teu discurso, Teus pobres excursos Qual asa ignota – Voluta partida Sem haste ou coluna? Teu peito se ufana, Mas pobre se infarta Do que te enfatua, Do que te enlouquece, E logo enfastia, Inútil cosmético, Inútil doença... Não tem mais a vida Aquela beleza Sensível das musas, Das frágeis heróidas, Carnívora flora! E o que te envilece É a penha estourada, Floresta arrasada Em ávido empório, É a carne doméstica À vida selvagem Dos homens polidos Jogada de súbito Sem único aviso. Por isso, velhaco, Te fazes feroz Entre hienas noturnas, Felinos rapaces, Que as presas espreitam Ou sobras de açougues Disputam famintas Deixadas por feras Maiores após De todo fartarem-se. Mas se nem entre hienas Tu podes viver Ou nem co’os chacais Tu podes comer De casca e couraça, Então te revestes Tal qual um tatu Metido na toca De um alto edifício Com ratos e cobras.
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