
PENA DE MORTE - ensaio - 5º parte
Data 11/07/2012 20:12:24 | Tópico: Textos -> Surrealistas
| (CONTINUAÇÃO)
- Lá voltamos nós ao mesmo... vê se entendes. Imagina, numa festa, um indivíduo "bebeu mais do que a conta", mete-se no carro e despistou-se matando uma família que esperava o autocarro. O que dizes? - O mesmo. O indivíduo é condenado e o seguro paga tudo. - Quê?! - Anastácio lançou-lhe um olhar incrédulo. Saíram ambos e desceram pela ladeira que levava à estreita ponte de ferro. O fim da tarde estava claro e o ar tinha arrefecido. - Estava a brincar... – sorriu - o indivíduo vai preso e a família lixou-se. - Achas bem? - Claro que não, - retorquiu Alexandre, num último esforço de argumentação - mas o homem também não o fez conscientemente, estava bêbado. – - Pois aí é que tu erraste! O homem bêbado nunca conduziria carro algum. Todos nós sabemos quando estamos com o "grão na asa". – Sem se deter - O que nos faz conduzir bêbados é saber que se tivermos um acidente, o máximo que apanhamos são alguns anos de "chilindró", a comer, a beber, a ler, a ver televisão, etc., etc. Mas se a lei condenasse à morte neste caso, já este homem não conduziria e tinha chamado um táxi. - És capaz de ter razão... – disse Alexandre, enquanto atirava uma joga sobre as águas do rio.
FIM
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