
[ … e quando me morro contorce-se o cansaço
Data 01/07/2012 03:36:32 | Tópico: Poemas
| . . . . . . . . ........................................ ***************************************
… e quando me morro contorce-se o cansaço Que se encabrita pela pele já gasta. E morro-me tantas vezes como as ondas do mar.
E morro-me tantas vezes longe da terra Que sangra desnudada dos queixumes Deixados pelo grito meu, esquecido no meio das searas.
Fulgem repentinas tempestades que se acalmam, Quando ressurge o fugidiço poente pela proa, Regressam os recantos que ainda sobrevivem. Agonizantes.
Morro-me assim, tantas são as vezes, Quão longe estou das orquídeas tuas.
Quanto mais perto do mar estou, mais longe de ti sou, Assim me morro. Pudesse eu morrer-me de vez.
O coração?
Adiei-o.
experimental, palavras rabiscadas numa Moleskine com prazo de validade.
… “Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meugrito de libertação
Não posso adiar o coração”
(António Ramos Rosa)
fugidiço (fugido + -iço) adj. 1. Acostumado a fugir. = FUGITIVO 2. Que se desvanece, que se some rapidamente. = ARISCO, ESQUIVO
|
|