
ESTA VIDA DE POESIA
Data 19/06/2012 23:21:24 | Tópico: Poemas
| ESTA VIDA DE POESIA
Como se o tempo não tivesse nunca sido Nas despedidas adulteras deste borrão Levo no peito uma razão sem sentido Carregando de porfias, meu caixão. São beatas esmagadas no asfalto, Estes medos de chumbo e de cobalto.
Como se a vida fosse o rasto dum cometa Embalei na extorsão fértil da exiguidade Embrenhado no calão, coisas da treta E esbarrei contra a mentira da verdade. Julgava ter o toque do rei Midas. Nas paisagens de meus olhos estendidas.
Encontrei-me portentoso e me esvaí Em rios levianos de fomento arqueiro Como D.sebastião na bruma, me perdi Augurando regressar no nevoeiro... Eram as mãos que me ditavam o posfácio Neste conto de ser rei, não ter palácio.
Declamo-me em salmos, rasgo a farpela Recolho do ventre os despojos de burel Coaduno os sentidos de flanela E lapido a minha vida com cinzel. Esta vida de gazua é uma vadia Azeda-me agremente o amargo fel E faz nascer em mim esta poesia!
Beija-flor
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