
Esfinge
Data 18/06/2012 12:34:44 | Tópico: Poemas
| Cofre mudo de aço e espelho, Quem irá te interpretar Os códigos e os segredos? Refletes prédios e carros, Árvores, gentes e cúpulas, Mas quem pode ser o espelho Do espelho em si refletido? A que Édipo te propões, Se não há quem te refrate Nesta manhã tropical? Se não há quem te decifre Nesta cidade de enigmas A refletirem-se em ti? Tua estrutura de vidro, De aço e de viga em espaço Exposto à luz litorânea, Sobre corpos quase nus, Não revela teus segredos, Não revela qualquer vão, Tua hermética nudez, Nem descuido de janela Descerrada por acaso A ferir a geometria Regular de tuas linhas. Apenas à noite deixas Entrever teus escritórios, Uns parcos interiores Já de cripta e desertos, Sem as gentes que de dia Tu enclausuras com mistérios Invioláveis aos de dentro E aos de fora amalgamados Pela forma e arquitetura Especular do edifício A representar a efígie Pelas estradas e escadas De nossa vida diária.
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