
Noturno
Data 06/06/2012 12:59:41 | Tópico: Poemas
| Alguns fantasmas espreitam-nos no alpendre. O cheiro de mato cortado sinaliza a noite chegada. Na sala, ao lado do Oratório, o branco da parede sustenta teu retrato; e ainda que inútil, nele, eu beijo tua ausência calada, antes de caminharmos pelas ruas das Minas em paga das minhas sinas.
Andarei meio-mundo e tu estarás comigo. Ouvirei teu silêncio e sentirei tua mão. Saberei quando tu se deixar absorta a contemplar o gerânio recém florido; e adivinharei teu riso ao sentir que o pequeno cão reconhece-te como herdeira da vida.
E ainda saberei de tua fadiga quando a volta te apetecer. Quando o fogo do Mundo já não te aquecer.
Levar-te-ei Princesa ao pobre Palácio sem fausto. E após reclinar-te no leito, velarei que os fantasmas não ultrapassem o portão. E te direi que durma, minha querida. E que sonhe com a vida.
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