
Catarse
Data 25/05/2012 19:55:21 | Tópico: Poemas
|  As casas dormem ainda ensaiando um silêncio de morte improvisada. Nas janelas fechadas oculta-se um rumor de luzes estranguladas. O fogo adormecido da quimera envelhece sob um céu sem luar junto à rebentação das sombras onde decifro a solidão fria do inverno no crepitar da memória incandescente.
Personagem de encruzilhada, busco um elo que faça ainda sentido com qualquer coisa conhecida, enquanto assisto ao desgaste lento das horas a cavarem um fosso de incertezas no parapeito arruinado da esperança. Respiro todos os segredos da escuridão no mármore arruinado onde repousa um silêncio de asas mortas e o gemer surdo do sono adiado.
Ao fundo do corredor no átrio vago da demora range a porta da alvorada a abrir-se para a claridade inesperada do dia.
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