
[… satura-me o sonambulismo com que a noite se veste
Data 25/05/2012 03:06:47 | Tópico: Poemas
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… satura-me o sonambulismo com que a noite se veste e mesmo que se disfarçe no canto de uma sereia,
mantem-me o olhar distante, não me afaga de mar,
e tudo acontece sem inicio, repentinamente sem cor, sem tempo delimitado.
Desilumina-se o céu, e o cheiro da terra é moldado pelas mãos no barro, mãos sem sina, sem ternura, mãos de pedra, e a dor pergunto-me; não a sentirei mesmo que me atravesse o peito
e se crave na mais profunda saudade?
Dá-me a chave da porta por onde a noite entrou, desferrolha-a mesmo,
racha-a de vez, relembra-me como é a luz do dia em sol,
e, enquanto o céu azul se inunda de mar em cor, repara nas núvens, velas enfunadas, soltas,
vogando sem pressa, sem pressas, esperando, que o destino aproe a sotavento.
Queimam-se as imagens de tantas as miragens nenhures, nas recusas a este crepúsculo, regurgito da luz frouxa,
impludo-me então, mais uma vez.
[que a última seja...]
… [“do ciclo, as palavras não têm prazo de validade. “ Riva la filotea. La riva? Sa cal'è c'la riva?” (Está a chegar. A chegar? O que estará a chegar?)]
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