
Só
Data 18/05/2012 12:48:12 | Tópico: Poemas
| Assomo de raiva, Cansado de tráfego, Na lívida alcova, Após o trabalho, Tu queres prazer. Amor tu desejas, Amor, entretanto, Tu queres sentir Vibrando no corpo. Que corpo, que amor Se todo o fervor Gastaste nas ruas, Real sacrifício De um corpo arruinado No estuo do sangue? Tesão vem de pílulas, Amor das revistas. Consome, criança, Porção que te cabe. Não sofras, não ames, Encenas tão bem Tesão e teus casos, Amor infinito: Teatro do ser. Cartório haverá Que te restitua O eterno desejo De amar para sempre – Clangor corporal. Por isso não chores (De fato, não choras!) A raiva de agora, Teu pênis caído É mero detalhe De amor velho e gasto, De um corpo abatido Do dia e semana. Agora, porém, Chegou teu remanso: O fim-de-semana No rádio a canção Renova teu ânimo Seduz com promessas De um sábado à noite Repleto de amor. A vida é a arte Do encontro já diz Ditado da moda. Então, sai à luta, Criança inconstante. Nas ruas e bares Conversas e danças, Teu copo de uísque Com outros tilinta, Pois ébrio de amor Almejas estar Nas ilhas de amores, Ainda que dure O parco momento Do orgasmo comprado. E à noite sozinho, Depois do motel, Transido de frio, Calado em perguntas, Tu lanças um grito E escutas somente Silêncio e sigilo Dos corpos alheios Entre ecos profundos.
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