
A VIDA NA JANELA
Data 14/11/2007 17:59:11 | Tópico: Poemas
| Muitas foram as vezes em que fiquei a olhar para o papel, e a caneta, na minha mão, tombada e quieta, era só um peso confortável, no meio daquela ânsia de gritos, daquela raiva muda de sonhos aflitos, coisas por fazer, montanhas por escalar, prazeres e mitos... Foi um tempo. Depois, mudei.
Hoje, os poemas são sentimentos bafejados nos vidros duma janela. Não de uma janela qualquer, mas da minha janela, onde se reflete a vida. Nela, o mar anuncia estrelas rubras, em passes de mágica universal. Por sobre as pedras, lisas como a idade das conchas, o mar esparrama árias de espuma e faz esculturas de momentos tão frágeis, que, mal pairando no ar, logo se recolhem em águas que regressam, ágeis, á intimidade do seu escultor. O mar esvazia-se contra a areia, e dela se colhe, numa pulsação constante, num vai e vem que não é feito de ondas , mas de amor, feito devagarinho, em fantasias de amante eterno. Nela, na minha janela, vejo a terra ganhar o sal de mil sabores, explicar-se em cores e iluminar-se de vida, como se toda a natureza pudesse saber que é ele, o mar, a raiz mais profunda, a causa mais antiga, dela. - e também dessa vida que, hoje, eu vejo, refletida, na minha janela...
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