
Assim é o medo (Henriqueta Lisboa)
Data 03/05/2012 10:17:44 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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Assim é o medo: cinza Verde. Olhos de lince. Voz sem timbre Torvo e morno Melindre.
Da sombra espreita à espera de algo que o alente. Não age: tenta porém recua a qualquer bulha.
No campo assiste junto ao títere à cruz que esparze vivo gazeio de nervosismo com vidro moído grácil granizo de pássaros.
E que rascante violino brusco não arrepia ao longo o azul dos meus veludos se, a noite em meio cá no fundo quarto escuro, a lua arrisca numa oblíqua o olhar morteiro.
Dentro da jaula (mundo inapto) do domador em fúria à fera subsinuosa- mente resvala.
Aos frios reptos do ziguezague em choque, súbito relampagueio,
as duas forças se opõem dúbias se atraem foscas para a luta pelo avesso: despiste e fuga ouro e vermelho desde a entranha.
As duas forças antagônicas: qual delas ganha acaso ou perde o medo frente a frente ao medo?
Henriqueta Lisboa, poetisa.
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