
[E como eram bonitos os cravos vermelhos de abril]
Data 25/04/2012 03:06:21 | Tópico: Poemas
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Das certezas que deixei ancoradas no algures do tempo, vogaram algumas folhas de plátano completando o circulo de todas as estações,
das certezas não tive saudades,
ou senti sequer falta, tudo se modifica, tudo se altera, mesmo brevemente que seja, do tempo, nesse algures indefinido, sim, e do areal também.
Mesmo que o mar tudo cubra nessas revoltas constantes, nessas idas e vindas, mesmo sem o virar de costas ao olhar,
finco-me sem oscilar, enraizo-me nas rochas como o albatroz cansado se esconde da tempestade que o fustiga. E esqueço o nevoeiro, e esqueço-me, e rio-me do plátano, do arco-íris, das certezas, do mar, do areal, do albatroz, e do nevoeiro que cobre a espuma das ondas.
Afinal, nem o poema tem a certeza nas palavras, nem a magia do coração que concentra o ritmo, tantas as viagens com que nos brinda, brindará[?]
Brindemos então, e o vinho que inunde a mesa, que escorra pelo soalho de madeira que range, que regue os cravos de abril que jamais cresceram no algures indefinido do tempo mesmo que as saudades os provoquem.
E como eram bonitos os cravos vermelhos de abril, termino assim:
das certezas que deixei ancoradas no algures do tempo, vogaram algumas pétalas de cravos vermelhos de abril completando o circulo de todas as estações, e mesmo que nesse dia no algures do tempo, chovesse,
e se gritassem vivas aos vivos, e a alguns que se despediram a lutar, poucas as certezas restaram, saudades, sim, sempre as terei,
que os cravos vermelhos de abril ressuscitem hoje, que se completem todas as cores em arco-íris, finalmente.
25 de Abril Sempre!
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