
Meninos Carvoeiros (Manuel Bandeira)
Data 24/04/2012 23:48:45 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
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Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade. - Eh, carvoeiro!
E vão tocando os animais com um relho enorme. Os burros são magrinhos e velhos. Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada. Os carvões caem. (Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido). - Eh, carvoeiro!
Só mesmo estas crianças raquíticas. Vão bem com estes burrinhos descadeirados. A madrugada ingênua parece feita para eles... Pequenina, ingênua miséria! Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis. - Eh, carvoeiro!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado, Encarrapitados nas alimárias, Apostando corrida, Dançando, bamboleando nas cangalhas, Como espantalhos desamparados!
Manuel Bandeira, poeta brasileiro.
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