
SUJEIÇÃO
Data 16/11/2006 15:55:50 | Tópico: Poemas -> Sombrios
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Ah ópio, ah morfina, oriente Do meu ser, as espirais do incenso Não me dizem a quem pertenço, Onde o outro que está doente!
Reconheço a beleza, e também o seu fim... E vou pela noite sem madrugada... E embora a lua seja falcada Bebo-lhe da luz, como cisão em mim.
Incógnito sorvo o último fresco outonal. Grifos, algo me chama, fugaz... E entre papoilas, rubro corpo, lilás, Deito-me por sobre o gume virginal.
E sinto-me doente de tanto sentir. O contrário deixa-me como à morte. Ai, mas se esta é a desdita da sorte, Porque me acho então a sorrir?!
E sob sedas e os tapetes persas, Fulva espada rasga a polpa, E o fruto ofendido jaz líquido na roupa, Aonde se me perdem as promessas.
Ó ilhas, ó tormentos, diz-me, amada, Por ora são só lamentos, e os dias… Caminhavas a meu lado? Que vias Tu deste pouco mais que nada?
Ai! a novidade do desconhecido! Que néctar é este que me inoculei? Estradas de onde não voltei, Meus passos marginais e sem sentido.
Jorge HUmberto in Saiu A Fera De Mim
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