
Prelúdio
Data 18/04/2012 22:56:59 | Tópico: Poemas
| Sangra a tarde apunhalada pela mão do dia Algo refrigerante faz o ocaso ser diferente Morre a tarde e se inicia uma nova poesia Logo que se recolhe Febo dos cabelos ardentes.
Do nada um véu denuncia a chegada da brisa Que vem deslizando macia pelos arvoredos, Orvalhando a rua, perolando os brinquedos Como uma seiva que a alimenta e a alumia...
Numa rua, em um prédio, num apartamento Uma semideusa um espetáculo se principia Elevando aos Campos Elíseos o pensamento De um homem quando a toalha se descortina...
Uma mulher exalando fragrâncias femininas Serpenteia pela pelúcia veludosa do tapete, Olhos gigantes, sensuais, de uma fera felina No cio arranhando a textura alcalina da parede...
No vale virgem, no monte de Vênus de uma vagina, Nas penugens maliciosas das abundantes nádegas Um marinheiro se aventura por terras desconhecidas Quando a luz bruxuleante e sonsa do quarto se apaga...
Aquece o quarto o perfume que adocica o ambiente Pernas e braços entrecruzados imortalizam o momento Dois corpos, duas almas afogueadas em sexo indecente Liberando e libertando os mais safados pensamentos...
Morre o mundo todo neste instante. Param-se os relógios e as ampulhetas. Queda a noite como se estivesse bêbada...
Fadigadas duas almas extasiantes... Apagam-se as estrelas antes acesas. Nasce o dia diamantino... Prelúdio de amor fugaz, refrigerante!
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