
CANTIGA DO AMOR EFÊMERO
Data 16/04/2012 02:48:13 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Um crime, se me permites, leitor, revelar-te-ei: a mais linda das mulheres eu, insensato, magoei. Por breves, diáfanos dias, foi-me ela a Sherazade que, em sonhos de mil e uma noites, corporifiquei. Amou-me. Também a amei.
Mas sem desculpa plausível, fleumático, inacessível, ontem a noite, (que noite!) assim, sem mais e sem menos, a diva, a lívida Vênus, eu para sempre deixei.
Por certo que chora, ela, como estrela de novela, no cenário em que atuei. O “script” não trazia tão abrupta cisão. O meu velho coração já, por fim, petrificou-se, desiludiu-se, não sei...
Já, por fim, pesa-me, imensa, essa aonírica noite na qual, mesmo à luz dos dias, para sempre me embrenhei...
(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sergio de Sersank)
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