
De volta para casa
Data 11/04/2012 18:41:14 | Tópico: Poemas
| (Caros amigos, poetas e leitores, fiz novas modificações no que pensava ser definitivo. De fato, tudo é provisório. Penso que esta versão agradou-me mais que as outras. Obrigado a todos pela leitura.)
I
Bocas desmaiadas, De sono escancaradas, Viajam de volta para casa Avenida afora,
Enquanto Cabeças pendidas, Em sonolência contrita, Dormem o sono dos justos,
Nessa hora Que se prolonga E devora O resto do dia E das horas.
II
Vogam, Em meio a lixos E detritos, Antigos destroços De outrora;
De viagens, Tratados, ilhas E tordesilhas, De tantas linhas, Faixas, buzinas e sirenes Dos que voltam para casa Infrenes e sem leme.
Vogam Tiros, Gritos e vozes Em meio ao martírio De quem morre anônimo Sem nunca ter lutado Contra mouros ou assírios.
Vogam Santas cruzes E arcabuzes A perpetrarem O vilipêndio De missas Estandartes, E incêndios, Dos massacres Que catalogam A cidade.
III
Tudo que é perene É só mais uma forma Do provisório Neste empório Que é a história.
Por isto este mar, Há muito seco, Embora infindo, Que guarda seus ecos E os endereços Marítimos ou citadinos De tantos vascos, Marcos, pólos e gamas, Zhengs, vicentes, Pessanhas, janszs, Mendonças, lischontens, Nunes, nunos e homens, Sem glória e sucesso Que voltam para casa De mares, bares e azares.
Por isto este mar, De quem Não conseguiu regressar E que hoje, Sem canto ou narrativa, Retorna para casa, À deriva, Em meio a vagas Que aportam, Em chamas, As frotas soçobradas,
Lâmina Que aflige e inflige A chaga escusa, Ibero-americana, De toda uma raça chacinada,
Os becos e logradouros De ocaso, Esquecimento e atraso Que não encontram Escoadouro.
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