
Ao Cotidiano
Data 10/11/2007 22:14:16 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Fui mas não temia por meu regresso. Porque a minha porta eu sabia de memória. Fui e voltei vestido de homem.
Acontece que à momentos em que nada nos pode devolver o que perdemos. E então tive que partir. E sempre. E então tive que viver. E sempre. Deixei as velhas árvores curvadas, como os avós ao fundo de uma casa. Deixei de perguntar e é um ausente o que pergunta agora dêsde a alma. E assim vim a saber como os homens levam as costas um profundo hóspede. Como o pão e a roupa são um sonho, como tão só a tristeza é própria. Que a água, o corredor e a escada, chegam a ser tão profundamente diários que é preciso perdê-los para amar-los. A tarde em que parti não me disseram que a dor, é dor estando só. Que o minuto perdido, o desengano, as horas em que ontem éramos outros, nos derrotam a cada instante, e é preciso perder um dia para ganhar no outro. Que as vezes não temos mais que o vento para limpar os olhos do passado.
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