
Quem dorme ouve um segredo enorme (Cassiano Ricardo)
Data 11/04/2012 10:28:30 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Serei eu que fecho os olhos, ou são todas as coisas que se escondem acariciadas por eu não as ver? Onde os meus olhos, quando fecho os olhos?
Minha tranquilidade, asa de fêltro, se estende pelos objetos que me cercam e sai pela porta da rua. Os sons ásperos da cidade amortecem com plumas. E eu me saúdo universalmente tranquilo.
Adquiro a idade da criança e do homem mais antigo que terá residido no planeta em que também resido. Sono – momento em que o criança e o antigo têm a mesma idade, sobre o rio das horas. Ponto situado numa geografia noturna em que o vinil e o rei, o vivo e o morto, são irmãos de viagem.
Será isto uma graça ou castigo? Como responderei?
Quem dorme ouve um segredo enorme. Segredo que quem dorme, ao acordar, esquece, por muito antigo.
Cassiano Ricardo, poeta.
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