
Pomar de minha mente
Data 22/03/2012 11:44:04 | Tópico: Poemas -> Introspecção
|  Aqui, curto minhas dores encurto a distância entre o "eu" exterior e o "in" interior
Aqui, sinto minhas flores no jardim de minha frente no pomar de minha mente
Aqui, apago minhas chamas no incêndio de minh´alma no bálsamo pra minhas chagas
Aqui, depuro minhas lágrimas nos córregos de minha retina nos igarapés de minhas artérias
Aqui, sou um pouco para dentro estou um pouco para fora a mesma onda que chega, leva
Aqui, como um mar imenso, busca a costa pra sair da solidão
Aqui, me encontro ora em marés altas, ora me recolho em marés baixas, aviso aos navegantes, acenda o farol
Aqui buscando o porto andando na plataforma torto pra adentrar o barco do tempo
Aqui ouço o eco abafado do meu próprio silêncio no ritmo da inspiração, da expiração
Aqui trago o ar da existência e canto a vida e a poesia e mergulho na paz da escrita
Aqui em meio a melancolia levanto com as mãos a terra do jardim e planto uma roseira
Aqui em meio a tanta tristeza ouço o chamado da brisa não vejo, mas sinto o aroma
Aqui nas rimas soltas nas feridas expostas nas chamas apagadas
Aqui quem canta, não espanta nem males, ou marés, somente canta porque ama
Aqui este amor à natureza da vida plena, não só de aparências dotada de uma certa humaneza
Aqui me permito ousar quiçá desafiar regras, dogmas
Aqui na busca da utopia que re-nasce a cada dia na raiz de uma dália
Aqui sento-me ao banco na sombra do arvoredo em um cantinho do cerebelo.
AjAraujo, o poeta humanista, escrito em 21 de março de 2012.
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