
Conto de Encanto.
Data 14/02/2012 20:12:06 | Tópico: Contos
| Foi naquela estância derradeira Que a moça largou seu coração, No mato onde só habita poeira, Soltou-o ao relento como decreto, punição.
Disse-o em forma de prosa Para procurar uma solução Cheirar o puro das rosas, Escutar o canto dos sabiás, Para, quem sabe, alguma hora encontrar... Junto à natureza, de tanto campear, Um soluço para aquietar, E o choro mais brando cessar.
Enquanto fazia uso do amargo chimarrão Lembrando do sabor de alguém com persuasão, Compreendia que nada valeria a adição De um pobre coração que só sentia negação. Portanto, alertou-o que voltasse apenas quando a solidão Fosse amiga das cavalgadas onde peleavam as almas valentes Pela estrada junto ao sol poente...
E avisou-o que não retornasse sem alento, Pois tanto tormento ela não desejava mais não. Solicitou-lhe para que peça ao seu amigo vento Que auxiliasse-o no aconselhamento Daquela sua formação. E depois de abandoná-lo Retornou ao seu rincão Tentando pensar em alguma coisa Que invocasse a paixão Mas de nada adiantou, Teria a moça enfim uma solução Abandonara o pobre do pequeno coração.
Ao chegar de manhãzinha Perguntou à senhorinha Se havia visto um peão Ela encarou-a sorrindo, Disse-lhe que lá vinha vindo Um moço no seu Trovão. (cavalo)
Nada sentiu... mas reconheceu-o O rapaz que um dia lhe causara tanto des-gosto Vinha troteando devagarzinho Sem pressa, pelo caminho...
Ergueu a cabeça, cumprimentou-a E a pobre sem abatimento Pediu-lhe o último de seus tormentos:
Moço dá-me um abraço? Apenas um momento em laço? E disse-lhe sorrindo: Abandonei aquele que me faz amar Não preciso mais de teu amor para poder continuar Mas preciso do Seu cheiro para poder sonhar.
...Então assim terminou o conto, Disse para o gaudério que passava Que de amor não entendia nada. E nas noites em que perambulava, Proseava com a lua na varanda do casarão Uma conversa boba, algo sem tanta condição: Aonde poderia estar o coração Daquela pobre prenda que um dia amou sem direção.
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