
...hipóteses de seres poema
Data 05/11/2007 12:59:08 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| No sopé do monte, o bragal de linho é agora vela branda de fragata a desfolhar flores suaves nas crinas altivas das águas.
Estanco o passo, em transparência pressentida, nesta iniquidade do regresso a passos amplos à meninice das coisas. Inspecciono lupanares de verbos incontaminados, gestos circulares nos rostos d’enfermidade.
Caminho o Sol azul-poente, em contornos desprovidos de rua acrescida. Na palidez sombria, perscruto-lhe a essência da voz, ainda que tímida, flagelada p’lo rumor silenciado da palavra.
Em cheiros densos de vinho mosto uma brida suave e descendente envolve-te o rosto, em ingenuidade suprema, se as estrelas já não riscam a minha boca de luar.
No limiar duma fraga, descanso-me harmonizada e, de novo, sou som, magistral acorde de sigiloso fonema a eclodir no assombro d’olhos juvenis e fervilhantes, de areais extensos e constelações de vida.
Seara perecida, sempre vou dizendo: Hoje, como ontem, na noite emudecida, morreram ceifadas todas as hipóteses de seres poema.
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