
PEQUENOS TRECHOS DE UMA CRISE SEM TÍTULO
Data 26/01/2012 14:10:51 | Tópico: Poemas
| . PEQUENOS TRECHOS DE UMA CRISE SEM TÍTULO
- I - esse poema aéreo que poeto vem d’um alto muito baixo decaído do dossel do teto
- II - em poesia algo é inegociável: insistirei até as últimas consequências em “não” ter razão.
- III - meu corpo-matéria é de dormente de pedra minha miséria é a língua megera a antiga folia séria presa na boca da fera a minha carne, velha... a alma fundeia a cratera...
ninguém tem culpa: nem eu, nem deus nem mesmo o cio da terra assim foi a minha vida. decidiu ser apenas ela...
- IV - é de se perder mais vida na vida que na poesia... na poesia ao menos a gente só não sabe como rimar.
- V - crise. porque nada me entra neste frio... sou uma geleira abarrotada de sequer meio espaço vazio
- VI - escreve dos teus males, por que não? escreve... escreve da lágrima a escorrer-te a pele escreve com olhos na seda do coração escreve do teu gelo, vem cá, escreve... escreve do teu temor, do teu apelo escreve teu inverno... escreve teu gélido inferno co’ a mesma calma que descai a neve...
- VII - tique-taque. as paredes à minha volta fecham-se. conformado, murmuro baixo ancorado nesse imortal refúgio mais acanhado, a cada minuto. sou apenas esse recheio calmo, ao fluxo direcionado, devoluto...
- VIII - sou coragem que não tenho
a esperança que olvido
a bondade que desdenho
a fé que chafurda motivo
descrevo do que transbordo
e desbordo erros em irônicos acertos
- IX - em certas poesias, os sentidos variam de febre. Estouram erisipelas. Justo é quando os versos mais belos, insanos, uivam :como cadelas.
- X - cuidadoso, se posso passo e repasso (passo a passo)
até a necessidade que ora passo possa passar
- Gê Muniz -
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