
[do Naufrágio, diz-se]
Data 10/01/2012 20:59:02 | Tópico: Poemas
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Rasgam-se as velas, como albatrozes voam mais alto, mais longe, e do vento que refresca se amaldiçoa se teme desconhecido além-mar, … desfazem-se sonhos uma vez criados, pesadelos que se reúnem num circulo de deuses irados, sombras de tão salientes os bojadores, … cantam anjos negros, diz-se, e as baleias submergem. … Gritam-se suplicas, das promessas e das piedades enfeitam-se os mastros, que rangem como uivos do lobo negro enquanto se despedaçam engolidos pelas ondas sopradas a norte, … sacrificam-se no mar os homens, agarrados a nadas, as redes enrodilhadas de tanta riqueza antes saqueada, aprisionam os corpos que mergulham sem regresso. … e quando o que resta de madeira se desfaz contra as rochas, laminas afiadas como lanças, fecham-se os olhos tudo escurece de vez. … Boiam os restos dos orgulhos, da pilhagem, na alvorada que raia, as baleias voltam a emergir, sonolentas, dos anjos negros nem sinal, diz-se, os que sobreviveram quis o mar clemência, olham infinitos. … Uma mulher chora, deitada no areal, o mar que tudo lhe deu, o mar que tudo lhe tirou, acaricia-lhe o corpo.
das viagens
O Transversal “La Folie, Lydia the Tattooed Lady, dos irmãos Marx,... das viagens, das estações do ano, das partidas e de alguns regressos...”
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