
10 MOEDAS
Data 05/01/2012 18:39:19 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Becos sórdidos, frios, desta cidade. Nos alcouces, de luz fraca aclarados, Corpos probos e ingênuos são deixados. E o desprezo traduz toda maldade. É mais uma tragédia - cruel verdade... Inocente ao léu, eis o teu futuro! Cortesã a recebe atrás do muro, A cabloca que não tem esperança. A miséria deixou-lhe esta herança Em um mundo impudico, vil e escuro. O que lhe resta – apenas, o que manda O freguês que na alcova diz: - Prazer! Não se esquiva, tem certo a obedecer, Dá seu corpo singelo a vil demanda. O ricaço diz: - Mais uma saranda, Terei por fim carnal - farto desejo. Esse corpo terá cálido beijo, Não mais virgem, por fim despudorado. O ricaço flameja só pecado... Lacrimeja a moiçola todo pejo.
Foi vendida por mísero metal, Cujo som não retine lá no céu; E o seu corpo impoluto atrás do véu, Preso está a preceitos do carnal. O prazer por vintém traduz o mal, Que encarcera um ser frágil e inocente; Pra alguns “homens” prazer é conveniente, Pois seu corpo o desejo pede assim. Infeliz a cabloca implora enfim: - Não retire o pudor da minha mente!
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