
crónicas dos novos dias
Data 05/01/2012 01:51:55 | Tópico: Poemas
| dia primeiro
são cinco e trinta e oito da madruga-quase-dia do primeiro dia. e de repente a cama adquire uma qualidade de quase transcendência. deito-me. uau, que bom!
acho que ainda não lavei os dentes! foda-se, lá se vai a transcendência. um palavrão. que por acaso até é pequeno. foda-se. seis letras e um tracinho. hipipapaquigrafo é maior. e o nome do senhor que trata do nariz e da laringe e do ouvido é ainda maior. do senhor ou da senhora. não quero começar o ano sendo acusado de machismo ou, pior ainda, de misoginia. para que conste: eu sou absolutamente a favor das mulheres. em todas as posições. dentes lavados. merda de dentes que nunca ficam branquinhos. o tabaco. cama. caminha!
são cinco e quarenta e seis. e à minha volta as luzes e o fumo e a música e os corpos ainda dançam. e o champanhe. mais champanhe. e minis. e saias minis. por acaso havia poucas. merda, quem foi o burro que se lembrou de pôr house? celebrar um ano que finda ou um que começa? as duas coisas, vá. começa-se às dezanove ou vinte do último dia e espera-se pela hora zero e grita-se eeeeeeeeeeeeei e dão-se beijos e tal. e não se lembram as coisas boas do anterior. e as más. o que se fez. o que não se fez. o que não se devia fazer e o que se devia.
e enquanto o sono não nos engole começamos a pensar nas coisas que temos de fazer e que não vamos fazer.
amanhã vou deixar de fumar. é sempre uma das medidas a serem tomadas. é isso, vou deixar de fumar. mas o que vou fazer ao tabaco que ainda tenho? não o posso deitar ao lixo, isso seria desperdiçar dinheiro. pronto, quando este acabar deixo de fumar. mesmo. e, assim, pode ser que os dentes fiquem branquinhos. está decidido.
concretizar sonhos. é o que deve ser. o resto fica para o ano que vem.
e as luzes já enfraqueceram. não há mais ninguém a dançar, só a minha cabeça. devagarinho.
e.
o resto do dia na companhia da família. as coisas do costume. algumas dores de cabeça. alguma falta de vontade para estar a horas à mesa. segunda parte da celebração. grande almoçarada. depois a molenga da tarde. conversas e outras coisas que tal. vou ao piano martelar os últimos acordes da tarde.
ligo o carro e venho-me embora. e logo ali começa o vazio. que aumenta à medida que como a distância que me separa da minha casa. vazia. e quando, finalmente, me sento nesta cadeira, o buraco enorme que se fez faz-me ver, mais uma vez, que afinal a celebração é a família.
mais visitas à família. é uma das medidas para o novo ano.
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