
Tarde, noite de Natal (Victor Motta)
Data 23/12/2011 16:01:14 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| TARDE, NOITE DE NATAL
A tristeza branca a derramar, de novo, os tons (tão bons…), tristes e brancos, irmanados, irmanando, num pôr de sóis sagrados e únicos, os contornos perdidos que brotam do povo esperançado…. crédulo, sob um arco-iris de bondade branca e triste.
Tudo é calmaria nessa tarde de sol que desce atrás do mar de dezembro. Ilusão fugáz, de amor, de paz, comprimida em doze meses de anseios e dúvidas; em eternos veios de dores reprimidas.
Aqui, sentado, parado e alheio, com esse sol a me chamar pro mar… não consigo me afastar dos sons que me alcançam no fundo da alma, a alma triste desse Natal que chegou, trazendo um mundo que busca outros mundos sem conhecer-se a si próprio.
No ventre dilatado de uma criança qualquer está o espanto do século dividido. No pranto da mãe que chora mais um anjo está o amargo das injustiças.
E o mundo busca outros mundos sem volver um só olhar de piedade. Que engenhosidade! A lua a seus pés sob a árvore enfeitada de estrelas; que são as gotas rolando das faces feias e cruas que sem compreendê-las não aplaudem, não riem, na mesmice de seus dias iguais.
Hoje, é Natal, é paz, é bondade, é dádiva, mas, em sua tristeza ignorante, como poderão participar de nossa alegria, de nossa vitória?
Debaixo de todas as águas salgadas desse mar, fica o fim de uma história enterrada e esquecida, e é Natal! Autor: Victor Motta Victormotta's Blog http://cariucho.wordpress.com/
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