
Papel de parede
Data 19/12/2011 23:05:32 | Tópico: Textos
| Importa-me o mar somente em sonhos, quando o meu coração se ausenta, quando os relógios se deixam ficar, mudos, no esquecimento. Vejo-lhe a grandeza austera; o azul sinistro do seu existir; e quase me comovo, distraída, diante da fotografia. Sob a névoa das minhas retinas, um sentir sempre novo acerca das águas; lágrimas que movimentaram-me a vida, que a mim fizeram em sangue e em mel; postas minhas dores nas encarnações das palavras. No despertar insalubre das emoções precárias, tudo são miragens cor de chumbo, onde tento existir sem asas e sem indagações. Atiro-me contra o vento imaginário que me afaga os propósitos, intenções pueris que não se dissipam com a imensidão dos anos.
O amor é assim profundo e impalatável – penso, enquanto salvo a imagem para usar numa ocasião mais triste.
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