«« Natal Triste ««

Data 19/12/2011 14:11:07 | Tópico: Poemas

Olhaste para ele num breve instante
Será que o viste como é
Questão impertinente se achegou
Sem pedir licença se abeirou
Ao meu coração moído
Trouxe num momento condoído
O pensamento que teimo em esquecer
Com ele trouxe no peito a bater
Um soluço que se abriga na garganta
Trouxe um corpo gelado sem ter manta
Uma floco de neve no beiral
Olhaste para ele, a pergunta
Que sem ter resposta agoniza

A noite corre de mansinho
Cheira a Natal lembra o azevinho
Olhaste para ele ó Deus Menino
Reparaste no seu corpo franzino

Olhaste para ele e não o viste
Só assim entendo o seu viver triste.
Olhaste para ele afinal
Responde ou não será Natal.

Antónia Ruivo

Proliferam pelas escadas e passeios os sem abrigo em Portugal, proliferam pelo mundo, eu sei que é de bom tom falar de pobreza no Natal mas sei também que nesta quadra o coração está mais aberto, quem sabe os senhores do mundo gostem de poesia e acordem. Os poetas são utópicos e eu sou-o por natureza.



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