
Incautamente ...
Data 28/10/2007 18:47:45 | Tópico: Poemas -> Amor
| Incautamente tombo o rosto oferto no vale moreno das tuas mãos e, porque insensata, a alma levita, flutua o espaço, aceita a regra, a contra-regra, o compasso, o descompasso de um metrónomo complexo … e é só tua.
Incautamente, lanço-me virgem ao vento, sou brisa solta, sou vaga brava rodopiada num vendaval. Recorto o gesto, visto giestas, respiro das coisas que não viveram. Vitrifico o sonho, ingiro das lágrimas se sou lamento.
Concreta, flor desabrigada, na inédita ventura da desdita, sou socrática, quiçá lunática, bebo concisa beberagem acídica, quando, em silêncio, sou voz que brama, que clama, que grita, que te proclama. Na nata do tempo não mais que louca, em demanda atávica duma só palavra da tua boca.
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