
Quando Eu For Pó
Data 28/10/2007 06:23:36 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Quando eu seja um punhado amarelento De argila, leve, untosa, Chegará teu andar lento Até a solidão de minha cova, E na urna fúnebre, furtiva, Porás tua mão suave, fria Para dar-me voltas E não chegarás a fazer-me nada Corcéis humildes, o lúcido floreiro Nem a sombra de um morto Nem a imagem de um vivo. Oh ! Mão querida, de tal sorte A apalpar esse frio, todavia Não ausente, da morte.
Quando eu for pó, branca argila, Me direi umedecendo de recordações; Meus gelados despojos Ficarão calados, mudos À tibia maravilha Das lágrimas vivas dos teus olhos.
E voltarei, a eterna mansão: O infinito misterioso, insondável; E tu me darás mil voltas Me ungirás de esmaltes e brilho; Não me encontrarás acaso Nas labaredas de um forno ?
Oh! Pó de meus ossos. Com um ardor sonhado De apaixonantes beijos Exaltarás minha escória. Que se romperá ao calor, com forma de ânfora E não terá na sua sede, a água de um rio De um manancial, da chuva ou de um lago. Será pó de novo e em boa hora Leve, sensível até o dormido alento, Mais sensível que agora.
|
|