Concubina em ti

Data 07/12/2011 14:12:47 | Tópico: Poemas

Profanado, despido
Ausente do ser imaculado
Disposto e exposto
A cães famintos
Jaz um corpo nu

Gente cruel…gente
E mais gente
Indigente
Que o consome

A carne fustigada
Punida e cansada
Imprime a dor
Em mordaz folha

Lapida-o
Ávido e insolente
Esse fogo que arde em si

Limpa as marcas
Que o sustentam
Atenua as vozes
Que o atormentam
Sufocando-o
Amortalhando-o

Purifica-o a ele
Corpo despido
Mas cingido em ti
Suaviza-lhe a dor
Essa maldita dor
Que recebe um corpo
Em fogo fátuo

Tem sede!
Dá-lhe água dessa fonte
Mata-lhe a tristeza
Permite-lhe a diferença
Na omnipresença
Ser mulher na tua cama

Deixa-a adormecer e sonhar
Concubina em ti



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