
Ó pai do ( Luso )
Data 04/12/2011 00:01:19 | Tópico: Poemas
| Ó pai desnaturado Estás nas catacumbas trancado Ou será enfastiado Roga por nós pecadores Poetas e maus actores Acode, afasta este fardo
Mas apressa-te
Que o caldo está entornado Eras um rapaz simpático De porte altaneiro Mas as frangas do capoeiro Fizeram-te cabelos brancos Agora por entre solavancos Esvai-se a farinha do moinho Ai pai, cada vez mais sozinho Acode, faz lá essa fineza Deixa-te de moleza A poesia salta na rua Na rua da amargura Pai, olha a triste figura Deste poeta estouvado Não sabe ficar calado Arre porra grita ele Calado, antes capado Ó pai afasta o pecado Da casa da minha vizinha Coitadinha, coitadinha O castigo lhe foi imposto Ó pai para meu desgosto Riram as frangas aos saltos E agora poetas nefastos Só falam em injustiça E tu aí com preguiça Enquanto o circo pega fogo Ó pai se queres que rogue eu rogo Sai aí do teu cantinho Traz a paz num cestinho A este antro de maledicência Porque o poeta sem paciência Pega nas rimas na eito E pai tu sabes não tem jeito Nada o faz calar Justiça é a sua bitola Um peso e uma medida Não é preciso ir à escola Para ser gente na vida.
Poetamaldito
.
|
|