
... o ensejo arquejado do teu sonho
Data 27/10/2007 11:05:48 | Tópico: Poemas -> Amor
| Serei o ensejo arquejado do teu sonho, meu amado, ou talvez, o imaginário basilar, fundamental, do oásis rumorejado, no brilho das folhagens dum quadro inacabado.
Porventura a espuma, a onda, a magistral vaga, a pressentida obra d’arte plagiada na distância apaziguada e na lonjura do deserto. O mar bravio que t’habita nas horas despidas de vida. O ímpeto clamoroso do tinto duma paixão, a sereia que se agita, que te chama, que te grita evidente, no desejo dissimulado de me veres, de me teres, crisálida aberta, ogivada em colunas gregas, sob o sol do meio-dia, em poisio d’ absoluta entrega, na palma da tua mão. Serei o som sibilado da hidra, a cor rubra do pecado, o destino antigo reencontrado, o fado lacrimejado p’lo gemido duma guitarra. O rosto reconhecido no recorte do tempo. … no teu corpo, a plenitude, o momento. Da alma, o pulsado do grito incessante, da ternura a magnitude gloriosa, o agito do sentimento.
E no entanto, amado … A cada dia que se acorda, que nos acorda doente, não sou mais que dor, ardor, encanto e pranto e tão somente, serenidade da luz plasmada em espera e, na noite que se tarda, farol que te alumia, que te reconduz a ti, no bombordo da amurada.
O tudo, o nada e o quase tanto … tanto!
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