
DESCOBRIR A CURA DO CÂNCER
Data 25/11/2011 14:09:28 | Tópico: Prosas Poéticas
| . DESCOBRIR A CURA DO CÂNCER
Se só porque, um dia, nasci devo ter um natural objetivo, dele nunca me puseram a par.
Nem me venham com bravatas dessas d’ eu mesmo encontrar sentidos que, em mim, de fato, não há.
(Penso - isso se nasce sabendo, ou, desculpe, nada há a procurar)
Resta-me gravitar pelas boas horas bastas de sem-sentido. Rumar à direção inversa das mãos dessas ruas todas.
Perdido, busco o simples, o terrivelmente óbvio: o convívio de quem gosto e me gosta. Juntos vociferarmos "belas bostas" contra inimigos - até uns amigos... (Nada passa disso, mas alivia-me a sair de dentro as maldades)
Outras conversas: sobro no que falta - ao sorrir d’ uma piada, ao ler em voz alta um poema bem escrito como quando janta-se uma comida palatável -
À tarde vou acalmar meus temores. Para isso, aprendi, bom é acariciar de escova os pêlos dos gatos.
Também sinto certo prazer em procurar um sapato daqueles macios que não apertam os pés, uma camiseta larga e estampada de algodão, além d’ uma bermuda de sarja.
Insisto até onde posso. Acordar. Depois dormir. Não perceber-me a respirar. Ah: transpirar amor, se ele aparece.
Ao final de muitas noites, fico-me. Antes chaveio portas e cerro janelas se faz frio. Só aí sonho um pouco que brigo por emplacar algo de suposta real importância para esta terra estranha de aqui.
Logo à manhã do dia vindouro a busca quase-séria passa. Recidivo, de mim, nem lembro mais.
E a vida pendura-me de mais umas horas, dias até sabe-se lá.
(Enquanto isso, em algum lugar desse globo, um feliz obstinado procura a cura do câncer para fazer perdurar por mais tempo também gente como eu)
Gê Muniz
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