
A nostalgia do que decidiu não acontecer
Data 22/11/2011 16:58:31 | Tópico: Poemas
| De novo a luz. Não sei porque ainda existe. Não sei porque me ilumina e abençoa Se não cá estás para perguntar: sentes o seu calor? Vês o seu brilho?
Vejo. Sinto. Vejo a chuva: a chuva que escorrega sonhos abaixo, Que banha o que dói e purifica a alma.
Sinto o calor da voz. E das castanhas. E de risos e sorrisos fundidos com bem-querer em despreocupada ignorância. Sinto frio nos pés e lembro-me de ti.
A ternura também se fatiga e o sono é teimoso quando quer. Azuis brotam-me dos olhos e procuram no rosto a navegação mais segura. Refugio-me no silêncio das palavras mais altas. Mas tenho vertigens. Às vezes caio.
Com a chave do meu corpo abro a porta do universo mais imenso. Entro nele. Consinto a doçura e tenho dó da matéria dos sonhos. E das estrelas. Faço por invocar o afago, a claridade e a sinfonia do íntimo.
Trespassa-me agora os olhos. A luz. Faz amor com a minha pele. A chuva. Estava tão perto de voar que me esqueci que o verão acabou: Uma súbita alegria, aguda e parva, desce e coroa a terra de água. Mal sabe Deus que me arde o coração.
Rui Gomes
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