
Diálogo de vultos
Data 24/10/2007 11:01:35 | Tópico: Poemas
| - Onde estamos? - Estamos mortos.
E sem prestar a mais leve atenção entregamo-nos. Como quem surge da bruma, sem alguma inquietude descarregamos o fardo das intempéries nos tordos recantos. Foi o amanhecer de Primavera manhã. Alisamos o cansaço da pele de chuvas e ventos. Sentamo-nos lado a lado, e foi viver os aromas da estadia. Dêmo-nos ao coração singelo Incendiamos melodias já esquecidas da água e do fogo. Encorajamo-nos a preservar, a não sofrer amarga morte. Diante dos nossos olhos estenderam-se caminhos, que conduziam à vida abraçamo-nos. Um ao outro num abraço demorado poderosa luz infundiu nos nossos lábios. Com olhos d´ água e fogo d´alma caminhamos até ao horizonte Pedimos uma última palavra: - Com que nome poderemos recordar-nos? Quase sem voz acenamos um adeus. E, desde então nossa vida tem sido apenas esperar por nós, sabendo-nos ressuscitados.
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