
EXCORPORAÇÃO(de "Vozes do Aquém")
Data 07/11/2011 23:40:15 | Tópico: Poemas
| Aceito a carona do súcubo e cavalgo por uma planície estranha e perigosa.
Posso sentir, de tão perto, os espinhos finos dos cactos do caminho, enquanto estalam os cascos nas pedras brancas e duras, arrancando faíscas e sangue.
Atrelado ao açoite percebo que há uma falácia, já que negada a palavra, só sobra o soluço e, depois dele, o devaneio.
Ambos tiram o fôlego.
Reponho com o calcanhar.
Ainda que a porteira pareça quebrada, opto pelo trote.
Cabeças encobertas me esperam do outro lado da moita.
E lá vão ficar, já que o sol vem no meu encalço e atira as sombras para muito longe.
Bruscamente tomo ciência de que não sou mais mero passageiro, mas feito presa pelo incorrigível raptor.
Não passa de um passatempo, do qual não quero nem um pouco ser parte, assim agarro em um galho e tento dar fim à correria.
Mal sabia que havia posto a mão na cumbuca, derramando o mel para raiva das abelhas e das avós.
Só me restava colocar a cabeça em um buraco, o que fiz em seguida, felizmente encontrando dentro dele o às de copas, que me permitiu quebrar a banca e levar a bolada total.
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