
A Última Estação
Data 05/11/2011 22:41:26 | Tópico: Poemas
| Fomos nos separando... Lentamente Dispersos como um bando de gansos Que após um longo período de descanso Aportam em vários lagos diferentes.
Prendemos-nos em pequenos universos Donde enxergamos apenas a ponta do nariz Não ouvimos mais o que o coração diz Ficamos sós a pregar num rígido deserto.
Perdemos-nos em nossos desejos Transformando tudo num manto incolor Desviamos-nos dos caminhos do amor E caímos num total e tortuoso desprezo.
Assim dessa forma fugaz e estranha Vamos tecendo nossas tristes cortinas Que nos privam das luzes matutinas Com nossas garras de metálica aranha.
Fomos nos separando... Iguais a navios Que insistem em cruzar dois horizontes Dois corpos dormentes, doentes e frios Quebrantando elos, derrubando pontes.
Diz a canção que tudo passa E que tudo sempre passará Como uma onda no mar.
Acho que tudo na vida se separa. Aquilo que nos une nos repele Acho que essa coisa de “pele” Anda um tanto mais cara e rara.
Assim vamos nos separado, iguais navios, Dispersos como um bando de gansos Fugindo dos dias invernais, cruéis e frios, Procurando porto seguro em lagos mansos.
Assim vamos indo, tal qual furiosa locomotiva Num trilhar caminhos novos em dias de verão Percorrendo palmo a palmo a ferrovia da vida Para nos deixar (in)seguros na última estação.
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