
Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada.
Data 22/10/2007 11:43:42 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Embargados os gestos repousam agora em adagas doridas no sangue das memórias pelágicas.
Nuvens de caruncho engolem a montanha em orgias de ventos. A manhã librina e fria chora a demora da noite incendiada, retesa-se aposta às costas velhas da cadeira e engole a dor da incerteza no agridoce toque dos lábios retalhados.
O ventre eclode aprisionado às Brumas de Avalon, o Mundo nu palmilha a foz do rio.
As correntes rebentam-se da prisão das horas simuladas em danças de luas cheias se a neblina dá forma ao dia de ruas esquecidas. Rasgam-se as entranhas dos sexos e dos seios na destreza das mãos por acontecer.
Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada.
Às águas são por fim a liberdade da escolha a escorrer dos olhos de uma mulher.
|
|