
Vida sobre vida
Data 26/10/2011 09:33:29 | Tópico: Poemas
| Quando os meus olhos se fecharem A minha voz se não ouvir Saberás como e onde me procurar Revisita outros mundos internos e faz do teu templo um lugar para eu te encontrar
Não chores! Não sofras! Não grites pelo meu nome, mas pela história que se fez vida enquanto ser vivendo em ti
(Há poemas tão frios como a morte de um jasmim Lê-os todos mas não faças das palavras um meio para me encontrares Há palavras que fazem da história uma verdadeira história Mas saberão elas distinguir-me no meio de uma multidão?)
Não faças do meu túmulo um jardim quebrado Mas do meu corpo, um verdadeiro túmulo Oferece as cinzas que restarem a todas as partículas que povoam ainda os jardins Avulta com elas as ondas do mar Alimenta com elas as correntes mornas de um rio, mas não deixes de me dizer de ti Fala-me em pensamento, para que todas as estrelas saibam o meu nome E através dele, a razão pura e simples da minha existência
(Tão simples como todas as flores que nascem em todos os jardins quebrados Tão simples como todos os olhares que alcançam um novo céu Vida sobre vida Morte que é só morte para conseguir atingir a verdadeira luz)
Por isso Não faças sepultar o meu corpo junto do bréu Não me encolhas na terra fria Vela-me na derradeira noite, mas não me tapes o rosto com um véu Tranca o meu caixão Forra-o com um poema nu, ou um verso que sempre me fez ser poema E faz do meu rosto um ritual pleno onde possa perpetuar um novo olhar
SOU SÓ EU MAIS EU
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