
«« Quem fui ««
Data 25/10/2011 22:19:14 | Tópico: Poemas
| Deixa-me ficar entregue ao pó Inquietações por vezes são desnecessárias Não faz sentido nefasto dó De quem se abastece em mortalhas
Serei eu mesma eternamente Remoendo recordações, o que foi e já não é Por isso não faças banzé Serei a teus olhos demente, um simples pedaço de gente Posso até ser transparente, estribilho e lamiré Serei eu, e só eu simplesmente
Deixa-me ficar por entre sombras Nelas encontro a força, são repasto Ao meu estômago insaciado Na curvatura das costas Deixa-me exibir o vergado De um tempo de alguma monta
Passou já é passado, um galope aturdido Da planície alentejana que ainda ressoa no vento Não ligues ao desalento muito menos ao momento Em que perdida vagueio, desalmadamente semeio Um tudo ou nada alheada procuro a vanguarda Perdida na voz do vento, teimoso o pensamento Veloz conduz a jornada Impede assim que me esqueça de quem fui um só momento.
Antónia Ruivo
|
|