
Enquanto os grilos cantam nos jardins
Data 25/10/2011 15:58:47 | Tópico: Poemas
| De que adianta encontrar nas palavras: os gestos as cores os cheiros as formas as caricaturas os mediatismos os formalismos e todos os vocábulos que existem para as diferenciar umas das outras se muitas delas me apresentam silhuetas vazias a rodopiar num frenesi encapotado de grinaldas de várias cores?
(Um céu sem cor a encher-me de todos os predicados e eu nem sei como ordená-los um a um… Talvez seja a forma única a encher um frasco de vidro e transformá-lo em forma de lente de aumento)
De que adianta servir-me delas, para te dizer quem sou de onde vim ou para onde quero ir se nem eu sei…nem eu sei como acabar-me no meio delas
Não, não sei que faço com elas, quando se apresentam carregadas de dor Não, não sei que faço com elas, as palavras soltas a encherem um mar de sonhos Essa ilusão a criar efeitos especiais parafraseando os momentos de cada cor ou dando nova cor e movimento a cada palavra
Essa loucura que se colhe logo pela manhã enquanto os pássaros cantam nas copas das árvores uma canção a embalar os sentidos todos
Não, não sei como me apresentar a elas pois se nem elas entendem este meu jeito atarefado logo pela manhã
Prefiro a noite a noite que me aconselha enquanto os grilos cantam nos jardins e a minha voz se remete ao silêncio aquele silêncio que me acusa de não passar de “fala barato”, uma coisa a adornar outra coisa
Será um dado adquirido este que me diz que a noite é um composto de todas as palavras que absorvo durante o dia para as transformar em sonhos sonhos a camuflar as cores de um dia…um dia perdido
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