
Arte do pensamento
Data 24/10/2011 15:50:48 | Tópico: Poemas
| Bramem sentidos figurados entre a gesta de um pintor, que pincelando alarmados lhes restabelece fulgor.
Moldam trâmites contornos imbuídos de coisa bela, na argila e seus adornos e no barro da janela.
As paisagens deslumbrantes incendeiam inspirações, nas retinas dos amantes e na tela das seduções.
Tanta pedra trabalhada com robustez e carinho, na criação suportada entre um trago de vinho.
Desenhado nos contextos da mente imaginativa; se concebem os pretextos que fazem fluir à deriva.
Num disparo condizente se regista um pólo raro, deixando tudo pendente de um próximo disparo.
Um sorriso se regista em tanto enquadramento; a alegria salta à vista na conclusão do elemento.
Esculpem obras tamanhas entre vários artefactos, no imaginar emprenhas o condensar desses factos.
Esmeram imensas virtudes em dons de tantas vertentes, ofícios de plenitudes que às artes são referentes.
Anseiam novos objectos em eufóricos debates, que transformam os dejectos em sublime elo das artes.
Outros fazem pela escrita a arte de muito criar, alterando a desdita à doçura de cada olhar.
Numa festa sem limites se empolga toda a Arte, omitindo os arrebites e inspirando-se em Marte.
A cultura é benfazeja na evolução humana; a Arte, bem vinda seja com o que dela emana.
A melodia mais sonora ou uma peça de teatro, entre cinema enamora a ópera de cada retrato.
Num poema se transcreve o sentir e tanta magia, que pelo que se escreve se acerca a ventania.
Na tela de cada vida se regista tanto quadro, entre a escultura saída e colocada num adro.
Há quem pinte sua sorte ou um nu inquietante; mas até no tema morte a pintura é deslumbrante.
A Arte e seus valores tanto têm de se preservar; assim como os amores para sempre se devem amar.
E nesta tristeza da crise a Arte tem a alegria e entre qualquer reprise nos quebra a monotonia.
António MR Martins
(Poema que obteve uma Menção Honrosa no I Concurso de Poesia da Associação Cultural Draca (Palmela) – 2011)
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