
As esposas resignadas, as viúvas fadadas...
Data 12/10/2011 21:03:36 | Tópico: Prosas Poéticas
| Os meus olhos choraram, Deixei verter as lágrimas... Doi-me pelas esposas e viúvas daqueles homens, Coloquei-me no lugar delas. Mulheres resignadas, viúvas fadadas!
Refleti. Elas, de mãos dadas com a tristeza dos maridos, Sofriam e os filhos também. Trabalhadores da mina. Filhos, que tomariam o lugar dos pais em breve. E a sua sina...
Viver até no máximo os 45 anos, essa era a idade de quem quase ninguém passava, trabalhando nas minas da Bolívia. A saúde se esvaia, bastavam apenas 5 anos ali, Dizia o médico para mais um paciente que ao seu consultório chegava. A silicose tomara conta de seu pulmão, Ele empedrava...
Enfermeiras de seus maridos, as esposas se tornavam. Cuidando deles até o último suspiro. Morte anunciada, desde que eles, na mina colocaram os pés! Mascavam folhas de coca para não sentir a força da altitude, Tomavam álcool de limpeza! Passavam quase o dia inteiro ali, sem comer, apenas usando disso, Agravando mais ainda a saúde, e visivelmente alterados pela ação desses elementos, Muitos não resistiam e morriam, antes de completar seu tempo...
Os gases tóxicos vinham, não se sabe de onde, e de repente, sem esperar... Outros tantos, por ali ficavam... Sentados e mortos, À espera da retirada de seus corpos...
Os sorrisos eram poucos na mina Apenas movidos à esperança de tirar dali, alguma prata, Para garantir naquela semana, o sustento. Por comida na mesa para ele, a esposa e seus rebentos...
Às viúvas ficava o grande fardo: Criar os filhos ainda pequenos, Órfãos de pais ainda jovens. Quebrando pedras do lado de fora da mina Entortando os dedos, E esperando ainda ter, Outro amor, para viver...
Fátima Abreu Assisti pela TV um documentário, sobre os mineradores da Bolívia. Baseado em tudo que vi e me emocionou, fiz a minha dissertação sobre o que mais me chamou atenção...
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