
DIVAGANDO SOBRE A POÉTICA CABRALINA
Data 15/09/2011 12:21:49 | Tópico: Poemas -> Reflexão
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O verso cabralino É conciso, sintético; Mas que transforma Em Taj Mahal dos pensamentos Quaisquer ruínas do cérebro.
A fotográfica topografia cabralina O corpo e a alma dos entes desnuda: A exemplo do Rio Capibaribe, O perfeito cão sem plumas;
A exemplo da cabra, que, Com sua epifânica, sábia e curtida negrura, Plasma ou cunha --- no DNA filiforme, porém tenaz Da emigrante nordestina pessoa --- O gosto pela arte da sobrevivência, Além do amor pela saudade telúrica;
A exemplo da dileta fruta, Aferindo-a ante toda uma sorte de frutas Para poder mostrar A sóbria apoteose da sua ímpar gostosura.
A poética cabralina É --- em verdade --- Um majestático, prolífero reino mineral:
Talhada á água, Á pedra, a mangue, Á natureza vestida de sol e sal.
A poesia de Cabral Não flerta ou transa com o sol do lirismo: Evita a esparrela de sua areia movediça, De seu insidioso precipício!
Entretanto a aridez dos versos cabralinos Derrama sobre nós Um infinito afluente de sentimentos:
A eloquência de sua iconografia Faz com que a sua poesia Induza o leitor ao choro, ao enternecimento, Á erupção da emoção legítima Quando a declamamos no apogeu do seu momento!
Afinal a poesia cabralina Ostenta um dúplice segredo: A observação como matéria prima E o seu canto a palo seco.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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