
Soluços embriagados
Data 04/09/2011 19:24:48 | Tópico: Poemas
| Ela chega embriagada, feliz, contente mas, mal encarada num olhar descontente.
Embriagada ela chega estafada de álcool se rega… Pousa a cabeça sobre a mesa perdida em pensamentos… será que mereça estes jumentos?
De mão trémula leva a morte à boca. À boca tumula e esconde-se nessa dita ‘toca’.

Canta… com uma voz lenta. Lentos são agora os seus reflexos… Espanta a foz sedenta com os seus perplexos.
Recusa-se a ouvir explicações, sermões… Apenas se quer suprimir.
Lamenta-se por entre sorrisos melancólicos… Afoga-se pelos seus preciosos e albergados tons alcoólicos.
A cama? Nem pensa nela… Age como se o Mundo acabasse hoje… Clama, pel’aquela felicidade que lhe foge.
Fala em morrer… despedindo-se, promete enfraquecer desmetindo-se…
Repete e repete a música sem fim… Será que compete? Que lhe compete este destino assim?
Não aceita mudar quando uma voz amiga lhe soa… Conjuga compulsivamente o verbo ‘chorar’ até que a alma lhe doa…
Segreda-se arrependida… Desemprega-se desta vida…
Vêm à tona não revelados… e choram-se as almas contam-se os desabafos… Agrafos, de vidas aparentemente calmas.
Assistem-se, confrontadas… Complicam-se insensibilizadas.
E eu não aguento mais… levanto-me e vou deitar-me… Já amanheceu num ‘jamais’ onde nunca pensei encontrar-me. Imagem retirada do Google e por mim editada de seguida.
Relembro que quem fala é o Eu lírico.
É de facto muito desgastante ver-se entregar vidas a um número infinito de garrafas corrosivas...
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