
Oh, Quantas Saudades!
Data 03/09/2011 15:20:16 | Tópico: Poemas
| Oh, que saudades que eu tenho Do tempo quando eu era pequeno Que os anos não voltam jamais!
Minha casa eivada de animais, Do meu pai a cavalo, ainda moço; Da voz materna anunciando o almoço!...
Oh, quantas saudades eu sinto Dos lagos prateados e dos rios, Das tardes embaixo da gameleira!...
Dos amigos reunidos numa fogueira Bebendo vinho e contando mentiras Enquanto assavam as batatas nas cinzas!...
Depois fui crescendo e fiquei crescido. O amor chegou em minha vida feito flor Num dia distante, formoso e cristalino.
Oh, eu era apenas mais um que curtia Raul E trazia os meus cabelos espessos e crescidos Sem saber português e porque o céu é azul!...
Lembro dos olhos meigos e estranhos A me olhar com olhos enjabuticabados... Não sabia distinguir se eram de diabos Ou simplesmente como se olham os anjos!...
Lembro... Dos dedos dela nos meus entrelaçados; Do umedecer dos olhos se entreolhando Num jogo novo, bonito e mágico!...
Do beijo dado num momento fantástico, Dos corcovos dos corações acelerados Em pulsações pueris e não esperadas!...
Do vento refrigerante movendo a relva Trazendo essências odorosas da selva... Eu vendo o balouçar das rosas e dos lírios!...
O corpo amado nu, salgado e em delírio Pedindo com a voz rouca mais e, mais e, mais... A esgrima das línguas em orgias orientais!...
Os sussurros e gemidos se confundindo Com o murmurar das fontes cristalinas; O olhar, sexualmente falando, de felina!...
E o vento a balouçar os lírios e as margaridas Fazendo alvoroço nos corpos na relva deitados, Refrigerando e tornando o momento sagrado.
Oh, que saudades que eu tenho Do tempo quando eu era pequeno Que os anos não voltam jamais!
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