
As valsas (Cecília Meireles)
Data 31/08/2011 00:32:58 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Como se desfazem s valsas por longos pianos aéreos que a noite envolve em suas chuvas! Que ternura nas nossas pálpebras, pelo exílio suave dos gestos e dos perfis de antigas músicas!
Os marfins opacos recordam, com uma graça desiludida, a aura da morta formosura. Gente de sonho, sem memória, entrelaçada, conduzida por salões de esperança e dúvida.
E eram tão leves, nessas valsas! E levavam lágrimas entre seus colares e suas luvas! E falavam de suas mágoas, valsando, e delicadamente, com a voz presa e as pestanas úmidas!
Ah, tão longe, tão longe, as salas... Levados os lustres e as vidas, o amor triste, a humilde loucura... Ficaram apenas as valsas, girando cegas e sozinhas, sem os habitantes da música!
Cecília Meireles.
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