Este silêncio diz-me tudo O que preciso saber As horas não passam O sono não chega Chego a ter visões do futuro Esse destino incerto Como incertos são os meus passos Enquanto o passado se esvai No nevoeiro acabado de chegar
Há uma calma imensa No povoado das serras O céu de cor cobre E o rio a choramingar A ausência dos raios solares Cobre-se de luares virgens A colorir a corrente Que esmorece E suavemente adormece
Tenho ainda este olhar baço A esboçar luas e sóis Sobre os telhados de xisto Das casas remexidas Escombros a remendar Os pontos negros na noite
As luzes ao longe São como esfinges Que não sabem onde ficar Quando a noite se for E a madrugada voltar A ser flor da manhã A furar as vidraças fechadas De uma casa vazia Sem nada que a faça ser Um único lugar O ponto de encontro De um novo amor
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